Quando acordou, de manhã bem cedo, abriu os
olhos sem saber onde estava, mas as paredes brancas do quarto, cobertas por
quadros brancos a envolver móveis também brancos, depressa a fizeram perceber
que estava na Terra-de-Onde-as-Cores-Tinham-Desertado. Abriu a janela, olhou
com melancolia o céu cinzento, as árvores cinzentas, os montes cinzentos e
pôs-se a recordar os acontecimentos dos últimos dias.
Nestes últimos dias que recordava tinha
acontecido a maior catástrofe que alguma vez presenciara. Toda a cor tinha
desaparecido e encontrava-se, agora, rodeada por um mundo branco e cinzento.
Foi assim, num estado de melancolia e a observar o que a rodeava que recordou o
sonho que tivera na noite anterior:
Olhava à sua volta e cores era algo que apenas
via na sua memória. Perante essa situação, decidiu partir em busca de cor.
Passado alguns dias de caminhada contínua, observou, muito ao longe, aquilo que
lhe pareceu ser um ponto colorido. Correu até ele e percebeu, então, que era
uma flor. Uma flor da qual seria capaz de extrair uma cor. Uma cor apenas, mas
uma cor capaz de mudar o mundo: azul. Começou, assim, a pintar o que a rodeava
com a tinta que extraía da flor. E foi pintando, dias a fio, até chegar a casa
e toda a terra estar colorida.
Ao acabar de recordar o sonho, apercebeu-se da
importância de várias coisas. Apercebeu-se da importância de sonhar e de
imaginar. E de tudo isto conseguiu tirar uma moral para a vida: Mesmo num mundo
branco e cinzento, o sonho e a imaginação dão-nos força para mudar aquilo e
aqueles que nos rodeiam.
1 de Outubro de 2012
| Helena Almeida, Pintura Habitada, 1976 |
Madalena
Nota: Imagina uma pequena narrativa que pudesse ser ilustrada pelas imagens ao lado.